A defesa do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro, do PL, apresentou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) uma argumentação em favor do uso de um vídeo gerado por Inteligência Artificial (IA) que exibe o ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo os advogados, o material, exibido durante a convenção nacional do partido, não se difere de práticas tradicionais de campanhas eleitorais, como o uso de bonecos, cartazes e outros materiais de apoio.
Em manifestação dirigida ao ministro Kassio Nunes Marques, relator do caso, a defesa enfatiza que o avatar digital representa uma inovação tecnológica que se alinha a instrumentos já conhecidos e utilizados em eventos políticos. O texto destaca que "o avatar reclamado nada mais é do que a versão moderna e tecnológica daquilo que sempre foi usado em eventos partidários e eleitorais como bonecos de papel, imagens em cartazes e até em máscaras, camisas, com mensagens de apoio".
Embora a defesa não mencione explicitamente os bonecos infláveis, a comparação sugere um paralelo com esses materiais, frequentemente vistos em atos políticos para demonstrar apoio a candidatos. Essa argumentação surge em meio a uma ação da Federação Brasil da Esperança, composta por PT, PV e PCdoB, que questiona a legalidade do uso da IA durante a convenção do PL.
A federação solicitou ao TSE a remoção do vídeo, alegando que houve uso irregular de Inteligência Artificial e propaganda eleitoral antecipada. Em resposta, a defesa de Flávio Bolsonaro também ressalta que a utilização de conteúdos gerados por Inteligência Artificial não é uma prática exclusiva de seus apoiadores. Os advogados afirmam que canais oficiais ligados ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao próprio PT também têm utilizado materiais criados com IA em suas publicações.
A discussão sobre o uso de IA em campanhas eleitorais levanta questões sobre a evolução das estratégias de marketing político e a legalidade de novos recursos, à medida que as tecnologias avançam. A análise do caso pelo TSE poderá estabelecer precedentes importantes em relação ao uso de Inteligência Artificial na política brasileira.

