Em quantos países é celebrado o Halloween?

O Halloween é celebrado em 31 de outubro em muitos países, mas as tradições associadas à data.

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O Halloween é celebrado em 31 de outubro em muitos países, mas as tradições associadas à data podem mudar bastante de um lugar para outro. Em alguns locais, crianças fantasiadas percorrem as casas pedindo doces, enquanto adultos participam de festas à fantasia, visitam atrações de terror ou decoram suas residências com abóboras e outros elementos ligados ao imaginário do Halloween.

Em outros países, as comemorações se misturam ou acontecem próximas a antigas tradições religiosas e culturais dedicadas à memória dos mortos, como o Dia de Todos os Santos, celebrado em 1º de novembro, o Dia de Finados, em 2 de novembro, e o Día de los Muertos, no México.

As próprias origens do Halloween atravessam diferentes culturas. Parte de sua história está relacionada ao antigo festival celta de Samhain, associado à transição entre o período das colheitas e o início do inverno nas Ilhas Britânicas, especialmente na Irlanda e na Escócia.

Fogueiras e crenças relacionadas a espíritos aparecem em fontes posteriores sobre essas tradições, embora os costumes das comunidades celtas da Antiguidade não tenham sido registrados de maneira suficientemente detalhada para afirmar com certeza que todas as práticas atualmente atribuídas ao Samhain eram realizadas daquela forma.

Com o passar dos séculos, tradições cristãs também passaram a ocupar esse período do calendário, especialmente o Dia de Todos os Santos, em 1º de novembro, e o Dia de Finados, em 2 de novembro. O próprio termo Halloween deriva de “All Hallows’ Eve”, expressão inglesa que significa “véspera de Todos os Santos”.

Nos Estados Unidos, o Halloween alcançou uma escala particularmente grande. Na noite de 31 de outubro, crianças costumam vestir fantasias, percorrer as vizinhanças e pedir doces nas casas, em uma prática conhecida como trick-or-treating. Jovens e adultos também participam da celebração por meio de festas à fantasia, atrações de terror, filmes de horror e elaboradas decorações residenciais. A popularização do Halloween no país ganhou força durante o século XIX, quando imigrantes irlandeses levaram consigo costumes relacionados às tradições de origem celta. A comercialização cresceu especialmente durante o século XX.

Cartões comemorativos de Halloween, por exemplo, tornaram-se populares entre aproximadamente 1905 e 1915, e posteriormente surgiu um enorme mercado de fantasias, doces e objetos decorativos. Atualmente, o Halloween está entre as maiores ocasiões de decoração nos Estados Unidos, atrás apenas do Natal em diversas estimativas. Os valores gastos pelos consumidores variam conforme o ano e a metodologia utilizada, mas uma estimativa chegou a US$ 8,4 bilhões, enquanto projeções para 2021 apontavam gastos superiores a US$ 10 bilhões.

Alguns costumes europeus mais antigos também ajudaram a formar o Halloween moderno. Um deles era o chamado “souling”, no qual pessoas percorriam casas pedindo pequenos bolos conhecidos como soul cakes em troca de orações pelos mortos.

A prática é considerada uma das possíveis precursoras do moderno trick-or-treating, embora não exista uma linha histórica simples e direta que permita afirmar que uma tradição simplesmente se transformou na outra.

Na Irlanda e na Escócia, o Halloween possui uma conexão histórica especialmente forte com as tradições sazonais associadas ao Samhain. O festival marcava o fim da época das colheitas e a aproximação do inverno. Fontes medievais e registros folclóricos posteriores relacionam esse período a atividades sobrenaturais, fogueiras e ao chamado guising, costume no qual pessoas se fantasiavam ou se caracterizavam de alguma maneira durante as celebrações.

Como as cerimônias praticadas pelas comunidades celtas da Antiguidade não foram registradas detalhadamente, entretanto, é mais adequado tratar essas conexões com cautela do que considerar todos os costumes atuais como reproduções fiéis de antigas cerimônias.

Na Irlanda contemporânea, antigas tradições convivem com eventos modernos de Halloween. As comemorações podem incluir carnavais de rua, fogos de artifício e fogueiras, enquanto crianças percorrem as casas em busca de doces. Famílias também podem preparar o barmbrack, um pão tradicional que, em algumas versões, contém um anel escondido em seu interior. Encontrá-lo é associado à sorte ou a previsões sobre o futuro.

Na Escócia existem costumes relacionados, incluindo celebrações de Samhuinn que fazem referência à antiga passagem entre o verão e o inverno. Uma tradição particularmente interessante envolve a utilização de nabos esculpidos como lanternas, em vez de abóboras. A conhecida abóbora de Halloween, ou jack-o’-lantern, pode ser entendida como uma versão desenvolvida no Novo Mundo de uma ideia muito mais antiga de esculpir vegetais para produzir lanternas.

No Canadá, as tradições de Halloween são bastante semelhantes às dos Estados Unidos. Crianças vestem fantasias, visitam casas para pedir doces e adultos participam de festas à fantasia. O país também aparece na história inicial das práticas norte-americanas relacionadas ao trick-or-treating.

Um registro de 1911, em Kingston, na província de Ontário, descreveu crianças praticando guising em busca de guloseimas, constituindo um dos primeiros exemplos documentados de costumes que posteriormente se aproximariam do moderno hábito de pedir doces de porta em porta. Atualmente, o Halloween é amplamente celebrado no país, com abóboras, fantasias e atividades nos bairros ocupando a noite de 31 de outubro.

O México apresenta um exemplo importante de por que Halloween e outras tradições de homenagem aos mortos não devem ser tratados como se fossem a mesma celebração. O Día de los Muertos, ou Dia dos Mortos, acontece principalmente em 1º e 2 de novembro e surgiu da combinação de tradições indígenas, incluindo práticas culturais associadas aos povos que habitavam a região antes da chegada dos espanhóis, com observâncias cristãs introduzidas durante o período colonial.

Muitas famílias montam altares domésticos para homenagear parentes e outras pessoas falecidas, colocando flores, alimentos, fotografias e objetos que tenham significado para os mortos ou para a própria família. As calaveras, representações artísticas de crânios humanos, também se tornaram um dos símbolos mais conhecidos dessa tradição.

Halloween e Día de los Muertos são celebrações distintas, embora a proximidade no calendário tenha permitido que elementos de uma influenciassem a forma como a outra é percebida em algumas regiões do México e dos Estados Unidos. Essa convivência demonstra um fenômeno mais amplo: uma cultura pode incorporar o Halloween sem necessariamente abandonar suas próprias formas tradicionais de homenagear os mortos.

No Japão, o Halloween assumiu características bastante diferentes das encontradas nos Estados Unidos. Fantasias são o principal elemento da celebração, enquanto pedir doces de porta em porta não é uma prática central. Festas e grandes encontros públicos de pessoas fantasiadas tornaram-se cada vez mais populares, especialmente entre jovens adultos nas grandes cidades.

Tóquio é particularmente conhecida por seus eventos de Halloween, com participantes utilizando fantasias elaboradas. O bairro de Shibuya, por exemplo, já recebeu grandes multidões durante a data, transformando a celebração em um evento urbano de grande visibilidade.

Parques temáticos, lojas e empresas do setor de entretenimento também contribuíram para a popularização do Halloween no Japão. O país demonstra como uma cultura pode adotar elementos visuais associados ao Halloween norte-americano, como fantasias, personagens e imagens assustadoras, mas desenvolver formas próprias de celebrar a data. Nesse caso, o Halloween está mais relacionado à cultura urbana, ao entretenimento e às fantasias coletivas do que à tradição de visitar casas em busca de doces.

Na Espanha, o Halloween moderno convive com tradições católicas muito mais antigas. Em algumas regiões, 31 de outubro pode ser associado à expressão “El Día de las Brujas”, ou Dia das Bruxas, e festas à fantasia ganharam espaço principalmente entre as gerações mais jovens.

Ao mesmo tempo, o Día de Todos los Santos, ou Dia de Todos os Santos, em 1º de novembro, continua sendo uma importante celebração tradicional. O Dia de Finados também possui uma longa história no país, formando um período do calendário em que costumes modernos de Halloween coexistem com práticas religiosas voltadas à memória dos mortos.

A Itália segue um calendário semelhante. O Dia de Todos os Santos, em 1º de novembro, é feriado nacional, seguido pelo Dia de Finados, em 2 de novembro, quando famílias tradicionalmente lembram parentes e outras pessoas que morreram.

Em diversas culturas latinas e em outros países europeus, essas celebrações de 1º e 2 de novembro possuem historicamente uma importância cultural maior do que o próprio 31 de outubro. Assim, o Halloween pode existir como uma celebração moderna sem substituir necessariamente os costumes tradicionais ligados à memória dos mortos.

Na Alemanha, o Halloween cresceu consideravelmente, especialmente entre as gerações mais jovens. Festivais relacionados às abóboras, fantasias e atividades de pedir doces tornaram-se mais comuns, acrescentando elementos modernos do Halloween a um calendário que já possuía tradições próprias durante o outono europeu.

O país também possui práticas relacionadas ao Dia de Todos os Santos e ao Dia de Finados, incluindo visitas e bênçãos de túmulos. Essas tradições mostram que os costumes relacionados aos mortos já existiam independentemente do Halloween comercial contemporâneo e passaram a ocupar um período semelhante do calendário.

Na Áustria ocorre algo parecido. O Dia de Todos os Santos, em 1º de novembro, e o Dia de Finados, em 2 de novembro, são observâncias estabelecidas, enquanto o Halloween ganhou espaço principalmente por influência cultural mais recente.

Assim como na Alemanha, a existência de antigas práticas de memória dos mortos demonstra que as sociedades europeias já possuíam seus próprios costumes relacionados ao período muito antes da popularização global do Halloween.

Nas Filipinas, existe uma tradição de porta em porta conhecida como Pangangaluluwa. Crianças tradicionalmente visitam casas e cantam em troca de alimentos ou esmolas. A prática pode lembrar imediatamente o moderno trick-or-treating, mas possui conexões mais fortes com a lembrança dos mortos e apresenta semelhanças com antigas tradições europeias, como o souling.

Isso é importante porque nem toda tradição de visitar casas durante essa época do ano surgiu diretamente da cultura popular norte-americana. Práticas semelhantes podem ter aparecido de maneira independente ou desenvolvido características próprias ao longo dos séculos.

Como acontece em diversos países, essas tradições filipinas estão inseridas em um período do calendário dedicado à lembrança de pessoas falecidas e a celebrações religiosas, e não exclusivamente ao Halloween de 31 de outubro.

Na Austrália, o Halloween não faz parte das celebrações tradicionais mais antigas do país, mas vem ganhando popularidade. Crianças podem se fantasiar, casas são decoradas e famílias participam cada vez mais de atividades de pedir doces de porta em porta.

A adoção da celebração, entretanto, não ocorreu sem resistência. Algumas pessoas criticam o Halloween por considerá-lo uma celebração comercial ou uma tradição importada dos Estados Unidos. Reações semelhantes ocorreram em outros países quando o Halloween começou a ganhar maior visibilidade.

Essas atitudes podem mudar com o tempo, especialmente à medida que novas gerações adaptam a celebração aos costumes locais. O resultado não precisa ser uma cópia do Halloween norte-americano. Em muitos casos, a comemoração acaba combinando elementos internacionais, atividades comunitárias e preferências culturais próprias de cada região.

No Chile, o Halloween se tornou uma ocasião bastante popular. Crianças podem percorrer as casas em busca de doces, enquanto adultos participam de festas à fantasia e eventos temáticos. Como ocorre em outros países onde a celebração se expandiu nas últimas décadas, o Chile demonstra a rapidez com que costumes associados ao Halloween podem atravessar fronteiras e ser incorporados a diferentes culturas.

No Brasil, a celebração é, de maneira geral, menos disseminada do que nos Estados Unidos. Comunidades de estrangeiros e parte da população brasileira organizam festas à fantasia e outros eventos relacionados ao Halloween, principalmente em áreas urbanas, mas a data não possui tradicionalmente a mesma dimensão nacional observada nos Estados Unidos.

Inclusive, 31 de outubro também é associado ao Dia do Saci em iniciativas culturais que procuram valorizar personagens e tradições do folclore brasileiro. Isso mostra que diferentes referências culturais podem ocupar a mesma data.

Essa diferença é importante para entender por que não existe uma resposta simples para a pergunta sobre quais países celebram o Halloween. Um país pode ter uma comemoração muito popular em todo o território, enquanto outro pode concentrá-la em grandes cidades ou entre determinados grupos etários. Em alguns lugares, a data é principalmente uma oportunidade para festas e fantasias; em outros, está ligada a costumes religiosos ou à memória dos mortos.

Na China, por exemplo, existem importantes tradições relacionadas à homenagem aos mortos que não são equivalentes ao Halloween. O Festival dos Fantasmas Famintos, conhecido como Hungry Ghost Festival, ocorre durante o sétimo mês do calendário lunar, e não em 31 de outubro.

Entre os costumes associados a esse período estão a oferta de alimentos cozidos e bebidas alcoólicas aos ancestrais, a queima de dinheiro de papel e a colocação de oferendas em determinados locais para espíritos considerados famintos ou sem familiares que cuidem deles.

Ao redor do mundo, inúmeras culturas possuem celebrações relacionadas a ancestrais, espíritos, morte e memória. Algumas coincidem aproximadamente com a temporada do Halloween no calendário ocidental, enquanto outras acontecem em épocas completamente diferentes. Pipas gigantes, alimentos especiais, flores, oferendas, visitas a túmulos e cerimônias religiosas aparecem em diferentes sociedades como formas de homenagear aqueles que morreram.

Por isso, o Halloween global não pode ser entendido simplesmente como uma festa norte-americana que foi reproduzida de maneira idêntica em outros países. Em alguns lugares, festas à fantasia, doces, abóboras esculpidas e elementos da cultura de terror convivem com tradições locais que existem há séculos. Em outros, o Halloween permanece principalmente como um fenômeno de cultura popular e entretenimento.

Da herança celta da Irlanda e da Escócia às grandes festas de fantasias do Japão, passando pelo Día de los Muertos no México e pelas diferentes formas de lembrar os mortos em países da Europa, da Ásia e das Américas, o significado e a aparência do período podem mudar radicalmente dependendo de onde ele é celebrado.

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Fonte:Paraná Jornal

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