O ex-banqueiro Daniel Vorcaro alertou a alta cúpula do Banco Central (BC) sobre a existência de seis rotas de fuga que poderiam ser utilizadas para escapar de uma possível prisão pela Polícia Federal (PF). Essa informação foi compartilhada durante o depoimento de Paulo Sérgio Neves de Souza, que atuou como chefe adjunto do Departamento de Supervisão Bancária da instituição. Os detalhes do depoimento foram divulgados recentemente.
De acordo com o relato de Souza, Ailton de Aquino, então diretor de Fiscalização do BC, transmitiu essa mensagem à equipe no dia em que Vorcaro foi preso e a liquidação do Banco Master foi anunciada. O comunicado foi feito por volta das 6h30 da manhã, alertando sobre a prisão dos executivos e reiterando o plano de fuga elaborado por Vorcaro.
Souza revelou aos investigadores que ele acreditava que a PF monitorava ativamente as rotas de saída mencionadas. "Ele fala claramente que ele tinha seis rotas de fuga", declarou Souza ao delegado responsável pelo caso, enfatizando a gravidade da situação.
Além disso, a apuração indicou que o empresário manteve contatos diretos com a diretoria do Banco Central horas antes da operação policial, com o intuito de negociar a venda da instituição financeira. A PF, por sua vez, identificou pelo menos três voos pré-agendados para a saída de Vorcaro do país, detectando essa movimentação logo após a decretação das ordens de prisão e da liquidação do banco.
Este episódio lança luz sobre as estratégias que executivos financeiros podem empregar em situações de crise, evidenciando a complexidade das operações da Polícia Federal e do Banco Central em casos de irregularidades no setor bancário.