A Polícia Federal localizou no celular de Daniel Vorcaro uma fotografia em que ele aparece ao lado do procurador-Geral da República, Paulo Gonet. O registro foi feito no dia 25 de abril de 2024, durante uma degustação de charutos e uísque no George Club, um estabelecimento localizado em Mayfair, Londres. Na imagem, Gonet é visto segurando um charuto, em uma mesa com copos de uísque, acompanhado por Vorcaro, pelo advogado Ciro Soares e outro homem. A assessoria da Procuradoria-Geral da República confirmou a autenticidade da imagem e a presença de Gonet no evento.
O arquivo que contém a foto foi enviado a Vorcaro em junho de 2025 por Ciro Soares, que atuou como advogado do Banco Master. Fontes que têm conhecimento do caso afirmam que o encontro em Londres foi financiado por Vorcaro, embora essa informação ainda não tenha sido oficialmente verificada pela investigação em curso.
Gonet declarou ter encontrado Vorcaro em uma única ocasião, no evento mencionado, na presença de outras autoridades. O procurador-geral descreveu o contato como “brevíssimo e banal” e afirmou que não tratou de nenhum assunto relacionado às atribuições da Procuradoria-Geral da República.
A assessoria de Ciro Soares afirmou que o encontro ocorreu em um período em que não havia investigações públicas contra Vorcaro e sustentou que a fotografia não indica irregularidade. Gonet também destacou que, na época, o fundador do Banco Master era considerado um empresário com boas relações nos meios político, jurídico e empresarial.
Um relatório da Polícia Federal revela outras mensagens trocadas entre Ciro e Vorcaro. Em março de 2025, Ciro enviou ao banqueiro uma foto ao lado de Gonet, pedindo para que ele ligasse, informando que Gonet queria falar com ele. Em outra troca de mensagens, Ciro transmitiu informações que atribuiu ao procurador-geral, afirmando que Gonet “adora” Vorcaro.
Os diálogos também mencionam uma possível viagem a Londres e um pedido para que o filho de Gonet participasse do encontro. Gonet, por sua vez, afirmou não poder ser responsabilizado por declarações feitas por terceiros, classificando as acusações como “levianas”, “descabidas” e “estapafúrdias”.