Os primeiros dias de agosto de 2026 marcam um momento delicado para Gianni Infantino, presidente da FIFA, que parece ter visto seu poder e influência desmoronarem. Após uma década no comando, o dirigente agora enfrenta uma realidade onde a confiança em sua liderança é questionada.
Até recentemente, Infantino desfrutava de um cenário favorável, com mais de 200 associações enviando cartas de apoio à sua reeleição, prevista para março do ano seguinte. O presidente da FIFA exibia sorrisos em fotos com líderes mundiais, celebrando os sucessos da Copa e reafirmando seu compromisso de unir o mundo através do futebol. Contudo, essa aparente invencibilidade foi abalada por uma série de fatores.
A primeira fissura em sua imagem surgiu com a sua proximidade com Donald Trump, seguida por um prêmio de paz controverso e a polêmica envolvendo Folarin Balogun. Esses episódios começaram a gerar descontentamento e desconfiança entre as associações e o público.
O que realmente desestabilizou a situação, no entanto, foi a tentativa de comercializar a Copa do Mundo. Ao propor a criação de uma empresa de 20 bilhões de dólares que envolveria a venda dos direitos comerciais do torneio, Infantino foi recebido com uma onda de críticas. A ideia foi vista como uma traição ao espírito do futebol, provocando reações adversas não apenas da UEFA, mas também de dirigentes de diversas partes do mundo.
O clamor foi unânime: “O futebol não está à venda.” A insatisfação se espalhou, e até o primeiro-ministro britânico se manifestou contra a proposta. O impacto disso foi profundo, levando a uma série de afastamentos dentro da própria FIFA, com conselheiros e executivos expressando descontentamento e até renunciando a seus cargos. Em resposta à pressão, Infantino decidiu cancelar o projeto, mas o estrago na sua imagem já estava consumado.
A crise de confiança vai além do plano comercial. Ela reflete uma percepção de que Infantino se distanciou do futebol e se aproximou demais das esferas de poder. O mesmo homem que, em 2016, prometeu reformar a FIFA após os escândalos de Blatter agora se vê acusado de repetir erros do passado, como a centralização e a falta de transparência.

