Governo paraguaio manifesta descontentamento com declarações de Lula

Em resposta a comentários de Lula sobre a Guerra da Tríplice Aliança, o Paraguai enviou uma nota.
WhatsApp
Facebook
Twitter
Print

O governo do Paraguai enviou, nesta sexta-feira (31), uma nota de repúdio ao Brasil em resposta às declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre a Guerra da Tríplice Aliança, também conhecida como Guerra do Paraguai. O documento foi entregue ao embaixador brasileiro em Assunção, José Antonio Marcondes, e foi classificado pela chancelaria paraguaia como uma "visão distorcida" da história.

A entrega da nota ocorreu após o diplomata brasileiro ter sido convocado pelo governo do presidente Santiago Peña, uma medida que é interpretada no âmbito diplomático como uma demonstração formal de insatisfação entre os dois países. Na nota, o governo paraguaio expressa seu desagrado em relação às declarações de Lula, afirmando que elas não refletem a realidade histórica.

"Após discussões entre as Altas Partes e uma análise ponderada e serena, o Governo da República do Paraguai expressa formalmente seu desagrado com tais declarações. Rejeita-as integralmente, pois apresentam uma visão distorcida de eventos históricos de singular importância para o povo paraguaio", diz o comunicado.

De acordo com o Ministério das Relações Exteriores do Paraguai, o documento enviado ao governo brasileiro manifesta um "desagrado e rejeição absoluta" às recentes falas do presidente brasileiro. O chanceler paraguaio, Rubén Ramírez Lezcano, destacou que a resposta do governo foi conduzida diretamente pelo presidente Santiago Peña e enfatizou a importância da defesa da soberania paraguaia nos mais altos níveis diplomáticos.

"A dignidade do Paraguai não é negociável. Quero que saibam que, sob a liderança do presidente Santiago Peña, abordamos essa questão ao mais alto nível desde o início", afirmou Ramírez Lezcano. Ele ainda ressaltou que a diplomacia possui seu próprio tempo e procedimentos, reafirmando a serenidade do presidente paraguaio em lidar com a situação.

O chanceler também mencionou a devolução de itens históricos, como o Canhão Presidente López e o Canhão Cristiano, além de documentos sobre a Guerra da Tríplice Aliança que se encontram nos Arquivos da República Federativa do Brasil. Essa proposta, segundo ele, deve ser feita através dos canais diplomáticos, no contexto de um diálogo construtivo entre os dois Estados.

PUBLICIDADE

Relacionadas: