Human Rights Watch retoma atividades na Venezuela após quase duas décadas

A Human Rights Watch (HRW) retornou à Venezuela, 18 anos após a expulsão de seus integrantes pela.
WhatsApp
Facebook
Twitter
Print

A Human Rights Watch (HRW) oficializou seu retorno à Venezuela nesta semana, quase duas décadas após a expulsão de seus membros pela ditadura de Hugo Chávez. A visita da ONG marca um momento significativo, sendo a primeira desde 2008, quando integrantes da organização foram detidos durante uma missão anterior ao país.

Na quinta-feira, 17, uma delegação liderada pelo vice-diretor global da HRW, Federico Borello, se encontrou com a ditadora interina Delcy Rodríguez, na capital Caracas. Durante a reunião, o governo venezuelano afirmou que os tópicos discutidos incluíam medidas voltadas para a liberdade de expressão e a promoção de uma convivência democrática no país.

Além do encontro com Delcy, a equipe da HRW aproveitou a oportunidade para dialogar com representantes de diversas esferas, incluindo organizações de direitos humanos, membros da oposição, jornalistas, familiares de presos políticos e diplomatas estrangeiros. Esses encontros refletem um esforço da ONG para entender a atual situação dos direitos humanos na Venezuela.

Historicamente, a HRW enfrentou severas restrições em suas atividades no país. Em 2008, durante uma visita que visava avaliar a situação dos direitos humanos, agentes da ditadura venezuelana prenderam integrantes da ONG, levando à sua expulsão. Desde então, a organização não havia conseguido retornar ao país, embora continuasse a monitorar a situação à distância.

Apesar do retorno, a HRW alertou que o aparato repressivo que caracteriza a Ditadura da Venezuela permanece em grande parte inalterado. Com base em dados fornecidos pelo Foro Penal, a ONG estima que cerca de 344 pessoas ainda estejam detidas como presos políticos. A organização reiterou a necessidade de reformas no sistema judiciário e nas forças de segurança do país.

Essa avaliação da HRW coincide com as conclusões de investigadores independentes da Organização das Nações Unidas, que, em relatório recente, indicaram uma diminuição nas detenções por motivos políticos e algumas medidas de abertura. No entanto, a HRW advertiu que as estruturas associadas à repressão ainda estão operacionais e que as mudanças implementadas podem ser revertidas a qualquer momento.

PUBLICIDADE

Relacionadas: