O jornalista Adriano Dolph apresenta no livro "Fevereiro em chamas" uma narrativa detalhada sobre os incêndios que marcaram a história de São Paulo, com ênfase nos casos do Edifício Andraus, do Edifício Joelma e do Grande Avenida. A obra resulta de uma extensa pesquisa, que envolveu a análise de quase dez mil páginas de documentos, mais de duas mil fotografias e quarenta entrevistas. Dolph ressalta que o trabalho foi construído a partir de uma minuciosa checagem de informações, resultando em revelações e dados inéditos sobre as tragédias.
O incêndio no Edifício Joelma, que ocorreu em primeiro de fevereiro de 1974, foi um dos mais devastadores, superando a tragédia do Andraus, que em 1972 resultou na morte de 16 pessoas. Na cobertura do incêndio do Joelma, a Jovem Pan se destacou como a primeira emissora a chegar ao local, conforme mencionado por Dolph em entrevista ao programa "Memória da Pan". O repórter Milton Parron e o operador de áudio Natal Baldini chegaram ao edifício às 8h50, apenas cinco minutos após o Corpo de Bombeiros receber o primeiro aviso de incêndio.
A cobertura da Jovem Pan foi pioneira na utilização de equipamentos que permitiram transmitir entrevistas e boletins ao vivo, utilizando a bateria do carro como fonte de energia. Parron, , realizou um trabalho exemplar, observando com precisão os eventos e narrando em tempo real a gravidade da situação. Essa abordagem ajudou a transmitir a magnitude do incêndio e a impactar a audiência, que acompanhou a tragédia de perto. Naquela ocasião, a transmissão de "A Voz do Brasil" foi suspensa.
Dolph também aborda a controvérsia em torno do número de vítimas do incêndio no Joelma. Jornais sensacionalistas chegaram a informar que 200 pessoas haviam morrido, baseando-se na quantidade de caixões no IML. A Polícia Técnica, por sua vez, reportou 187 laudos de necroscópicos, embora alguns fossem referentes a casos de corpo e delito. O Corpo de Bombeiros indicou que o total de mortes foi de 189, enquanto o IML registrou oficialmente 181. Entre os nomes citados nas reportagens como falecidos, estava Eduardo Moacir Forneret, que na época tinha apenas 24 anos e estava vivo quando Dolph lançou seu livro.
O trabalho de Adriano Dolph, portanto, não apenas narra os incêndios, mas também busca esclarecer as divergências e a memória coletiva em torno desses eventos trágicos que deixaram marcas profundas na cidade de São Paulo.

