Um relatório recentemente divulgado aponta que Gisele Cristina de Carvalho, irmã do delegado da Polícia Federal Marcelo Ivo, possui um histórico de envolvimento com o Primeiro Comando da Capital (PCC). Gisele enfrentou um processo relacionado à facção e foi detida no Paraguai em companhia de uma advogada com laços com membros do PCC. O caso remonta a um período em que Marcelo Ivo atuava em funções de ligação nos Estados Unidos e deixou o país após a prisão de Alexandre Ramagem.
De acordo com o documento, Gisele foi denunciada pelo Ministério Público de São Paulo em 2007, sob a acusação de participação em organização criminosa. As investigações, que se iniciaram a partir de monitoramento telefônico realizado pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), revelaram que ela teria mantido contato com líderes da facção e visitado presos identificados como figuras proeminentes do PCC. Contudo, em uma decisão proferida em 2023, a Justiça absolveu todos os réus envolvidos por falta de evidências.
O relatório também menciona um episódio de 2010, quando Gisele foi detida no Paraguai ao lado da advogada Ariane dos Anjos. A defesa de Gisele alegou que sua presença no local estava vinculada a questões profissionais e negou qualquer irregularidade nas atividades que realizava.
Outro aspecto abordado no documento diz respeito à advogada Fabiana Kelly Pinheiro de Melo, que foi presa durante uma operação da própria Polícia Federal. Posteriormente, Fabiana tornou-se sócia de Gisele, e o processo disciplinar que lhe foi instaurado na Ordem dos Advogados do Brasil foi encerrado por prescrição.
O relatório também destaca que Marcelo Ivo ocupou posições estratégicas dentro da Polícia Federal, como a chefia no Aeroporto Internacional de Guarulhos e a superintendência regional, além da função de ligação com autoridades dos Estados Unidos. Não foram encontrados registros públicos que indicassem que os episódios envolvendo sua irmã tenham interferido na carreira do delegado. O documento também faz menção a normas internas da Polícia Federal que abordam conflitos de interesse em relação a vínculos familiares.
Até a publicação do material, a Polícia Federal não havia se pronunciado sobre os pontos levantados no relatório.

