O MDB anunciou que não apresentará um candidato próprio à Presidência da República, nem apoiará outra candidatura, pela primeira vez desde a redemocratização do Brasil. A deliberação ocorreu durante uma convenção nacional virtual, realizada na última segunda-feira (27), onde o partido decidiu liberar os diretórios estaduais para que possam negociar alianças locais nas eleições de 2026.
Essa nova abordagem permite que cada diretório estadual conduza suas articulações independentes, visando as disputas para os governos estaduais e o Senado, sem a necessidade de seguir uma coligação nacional. Essa estratégia tem como objetivo principal fortalecer a bancada do MDB na Câmara Federal, aumentando a quantidade de deputados federais e, consequentemente, a participação do partido nos fundos eleitoral e partidário.
A decisão de não participar da corrida presidencial é significativa, especialmente considerando a tradição do MDB na política brasileira. Recentemente, em 2024, o partido elegeu 853 prefeitos por todo o país, ficando em segundo lugar, atrás apenas do PSD. Contudo, a sigla tem experimentado uma diminuição em sua representação no Congresso Nacional, atualmente ocupando apenas 38 cadeiras na Câmara Federal, o que a coloca como a sétima maior bancada.
A percepção dentro do MDB é de que a redução do número de parlamentares se deve às iniciativas anteriores do partido na disputa pelo Palácio do Planalto, que consumiram recursos e esforços sem resultados satisfatórios. Na eleição de 2022, o MDB lançou a candidatura de Simone Tebet, que terminou em terceiro lugar, recebendo apenas 4% dos votos válidos. Em 2018, Henrique Meirelles, ex-presidente do Banco Central, TAMBÉM não obteve sucesso, ficando em sétimo lugar com menos de 2% dos votos válidos.
Historicamente, o MDB já ocupou a Presidência da República com Michel Temer e integrou os governos de Lula e Dilma Rousseff, de 2003 a 2015. Com a decisão recente, a legenda busca um crescimento mais sólido no Legislativo, focando nas eleições de 2026.
A nova estratégia do MDB foi elaborada levando em consideração as realidades políticas e os históricos eleitorais de cada estado. O estatuto do partido confere autonomia aos diretórios estaduais, permitindo que lideranças com melhores desempenhos em eleições passadas tenham maior influência nas decisões.

