Michelle Bolsonaro anunciou na terça-feira (30) sua decisão de deixar a presidência do PL Mulher, a ala do Partido Liberal dedicada ao público feminino. Em um comunicado, a ex-primeira-dama informou que a escolha foi resultado de reflexões com o marido, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que está preso desde agosto de 2025 e cumpre uma pena de 27 anos e três meses por tentativa de golpe de Estado.
Em sua declaração, Michelle contou que se reuniu com Valdemar Costa Neto, presidente nacional do PL, para comunicar sua decisão. A conversa, que durou cerca de duas horas, foi marcada por um clima de introspecção sobre o cenário atual enfrentado pela família Bolsonaro.
A saída de Michelle da presidência do PL Mulher acontece em um contexto de crise familiar, especialmente após um desentendimento público com o senador Flávio Bolsonaro, seu enteado e pré-candidato à Presidência da República pelo PL. Na semana anterior, a ex-primeira-dama havia publicado um vídeo no qual relatou ter se sentido “humilhada, desrespeitada e maltratada” durante uma ligação telefônica com Flávio, ocorrida em novembro de 2025. O descontentamento surgiu após críticas de Michelle a uma articulação do PL para formar uma aliança no Ceará com o ex-ministro Ciro Gomes, movimento que foi promovido pelos filhos de Jair Bolsonaro.
A situação gerou uma crise interna no Partido Liberal, especialmente com a proximidade das eleições, e expôs publicamente a tensão existente entre Michelle e seus enteados. Vale ressaltar que a ex-primeira-dama havia construído o PL Mulher como uma plataforma política de forte apelo evangélico, utilizando uma linguagem bíblica e promovendo a candidatura de mulheres no partido.
Após a prisão de Jair Bolsonaro, Michelle passou a ser vista como uma representante do bolsonarismo fora do sistema prisional, o que aumentou sua relevância política. Sua oposição à aliança com Ciro Gomes é vista como um sinal de que seu papel político estava em desacordo com as estratégias adotadas pelos filhos do ex-presidente, que atualmente controlam a condução eleitoral do PL nos estados.

