A Companhia Ambiental do Estado de São Paulo, a Cetesb, divulgou que a carga de matéria orgânica transportada pelo Rio Tietê na saída da Grande São Paulo caiu 26,7% em 2026. A média de carga de poluição reduziu de 210 toneladas por dia em 2025 para 154 toneladas nos primeiros trimestres deste ano, resultando em uma diminuição de 56 toneladas a menos de matéria orgânica após a passagem pela região mais urbanizada do estado.
Comparando com o ano de 2024, quando a carga média era de 218 toneladas diárias, a redução acumulada chega a 29,4%. Nos últimos dois anos, a diminuição total no volume diário de matéria orgânica transportada pelo Tietê foi de 64 toneladas, um resultado que supera as expectativas do Programa IntegraTietê.
O desempenho de 2026 também ficou 19,8% abaixo da meta de 192 toneladas diárias estabelecida pelo programa, que reúne diversas ações que incluem coleta e tratamento de esgoto, retirada de resíduos, desassoreamento e recuperação ambiental ao longo do Rio Tietê. As medições são realizadas na barragem da Pequena Central Hidrelétrica Edgard de Souza, localizada em Santana de Parnaíba, um ponto estratégico que permite avaliar a poluição após a passagem pela Região Metropolitana de São Paulo.
A metodologia aplicada pela Cetesb considera tanto a concentração de matéria orgânica quanto a vazão do rio, possibilitando a comparação entre diferentes períodos, levando em conta fatores como chuvas e variações no volume de água. A matéria orgânica que chega ao Tietê é principalmente resultado do lançamento de esgoto doméstico sem tratamento, o que, em excesso, compromete a quantidade de oxigênio disponível no rio, gera mau cheiro, prejudica a vida aquática e afeta a qualidade da água.
A melhoria na qualidade do rio reflete um período de aumento significativo nos investimentos em saneamento no estado. Após a privatização, a Sabesp encerrou 2025 com um montante de R$ 15,2 bilhões investidos, o maior volume anual já registrado. Em 2024, durante a transição para o novo modelo, os investimentos somaram cerca de R$ 6,9 bilhões.
A Sabesp planeja investimentos em torno de R$ 70 bilhões até 2029, antecipando em quatro anos o prazo de 2033, que foi estabelecido pelo Marco Legal do Saneamento para a universalização dos serviços no Brasil. Mais da metade desse investimento já havia sido contratada até o fim de 2025, embora isso não signifique que todas as obras estejam finalizadas, pois a contratação define fornecedores, prazos e compromissos para a execução dos projetos.