O presidente da Argentina, Javier Milei, voltou a manifestar críticas ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva, acusando o Brasil de financiar uma campanha "anti-Argentina" durante o processo eleitoral de 2023. As afirmações foram feitas em uma entrevista à Rádio Mitre no domingo, 27, um dia após Milei referir-se a Lula como "presidiário" e "ladrão" em um evento do Partido Liberal (PL) em São Paulo.
De acordo com Milei, aproximadamente 25% dos fundos da suposta campanha contra sua administração teriam origem no governo brasileiro. O presidente argentino também alegou que assessores do Brasil estiveram envolvidos na campanha de seu opositor, Sergio Massa, durante as eleições de 2023.
Além das acusações, Milei criticou o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), por ter negado seu pedido para visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro, que atualmente cumpre prisão domiciliar. Ele comparou essa recusa à visita que Lula fez à ex-presidente argentina Cristina Kirchner, que também se encontra em prisão domiciliar, reafirmando que Bolsonaro está preso de maneira injusta.
As declarações de Milei acentuaram a crise diplomática entre Brasil e Argentina. Em resposta, o Itamaraty convocou o embaixador brasileiro em Buenos Aires, Julio Bitelli, para consultas em Brasília, além de chamar o embaixador argentino no Brasil, Daniel Raimondi, para expressar a "repulsa" do governo brasileiro em relação às falas de Milei durante o evento do PL.
Autoridades argentinas, por sua vez, descartaram a possibilidade de um pedido formal de desculpas ao governo brasileiro após os comentários feitos por Milei. Informações do jornal La Nación indicam que uma fonte próxima à Casa Rosada confirmou que não há planos para uma retratação oficial. As declarações de Milei, que o qualificaram como "lixo careca" e Lula como "ladrão" e "presidiário", provocaram reações imediatas no cenário político.
Um membro do governo argentino sugeriu que a estratégia de permanecer em silêncio poderia ser uma forma de amenizar a crise. "Talvez não dizer mais nada seja uma forma de desescalar a situação", afirmou ao La Nación. A tensão entre os dois países continua a ser um tema delicado nas relações diplomáticas.

