A reabertura do Estreito de Ormuz pode se tornar um argumento central para que Donald Trump declare uma vitória sobre o Irã. De acordo com informações de autoridades, o presidente dos Estados Unidos estaria disposto a abrir mão de um novo acordo nuclear, apresentando como conquista o restabelecimento do tráfego marítimo nesta passagem estratégica.
Entretanto, o Irã impôs condições severas para permitir a retomada da navegação. Os bombardeios realizados entre fevereiro e abril por forças norte-americanas e israelenses tinham como objetivo desmantelar os esforços iranianos para desenvolver armas nucleares. Agora, entre as exigências de Teerã estão o pagamento de bilhões de dólares pelos EUA, a retirada das tropas americanas do Oriente Médio e o fim do bloqueio naval imposto por Washington. Além disso, o Irã deseja restringir a passagem de navios militares norte-americanos e garantir receitas das embarcações comerciais que utilizam o estreito.
Essas exigências dificultam a construção de uma narrativa de vitória por parte de Trump. O presidente já manifestou a intenção de intensificar a ofensiva militar contra o Irã, embora tenha recuado em algumas ocasiões. Ele busca apresentar resultados concretos à medida que se aproximam as eleições de meio de mandato.
Mona Yacoubian, diretora e assessora sênior do Programa para o Oriente Médio do Center for Strategic and International Studies, destaca que as novas demandas de Teerã tornam mais complicada a busca de Trump por uma saída que preserve sua imagem no cenário político.
Desde abril, a questão nuclear tem sido central nas discussões entre Washington e Teerã, com Trump insistindo na necessidade de garantias de que o Irã não desenvolverá armas nucleares. No entanto, as negociações pouco avançaram até agora.
Diante desse impasse, a Casa Branca tem focado seus esforços em questões mais imediatas, como a circulação de navios pelo Estreito de Ormuz, uma das rotas mais importantes para o comércio internacional. A possibilidade de novas isenções às sanções está em discussão, após um memorando provisório firmado em junho, que foi desfeito após ataques iranianos contra embarcações na região.

