O deputado Luiz Claudio Romanelli, do PSD, expressou preocupações no último final de semana sobre as consequências do novo modelo de pedágio eletrônico adotado no Paraná. Em sua fala, Romanelli enfatizou que o estado não deve ser um campo de testes para as falhas do sistema de pedágio. Ele recordou que os paranaenses enfrentaram tarifas elevadas por mais de 20 anos e esperavam que a situação melhorasse com os novos contratos. No entanto, a recente substituição das praças físicas por pórticos eletrônicos trouxe novos desafios aos motoristas.
Durante uma visita ao pórtico instalado próximo à praça de Jataizinho, na BR-369, o deputado explicou que essa mudança ocorre em locais onde já existiam praças de pedágio. Segundo ele, o contrato estabelece que essas praças deveriam funcionar de forma física. Porém, a concessionária optou por instalar pórticos eletrônicos como uma medida para reduzir custos, o que, , não é aceitável.
Romanelli criticou a falta de conformidade com a Lei nº 14.157/2021, que determina que a cobrança deve ser proporcional ao trecho percorrido. O deputado destacou que, na prática, o que se observa é uma imposição de cobranças integrais mesmo com a mudança para o sistema eletrônico. "As concessionárias criaram um 'puxadinho' tecnológico, mantendo a injustiça na cobrança", afirmou.
O deputado também chamou atenção para o novo sistema de pagamento, que, de acordo com ele, se tornou uma armadilha para os motoristas. Aqueles que não possuem o dispositivo de tag enfrentam dificuldades para realizar o pagamento em até 15 dias, e, caso haja qualquer erro, são penalizados com multas de R$ 195 e a adição de cinco pontos na CNH. Romanelli considerou essa situação desproporcional e prejudicial aos usuários das rodovias.
Os números relacionados ao sistema free flow são alarmantes, com mais de três milhões de multas já aplicadas. Para Romanelli, quando um sistema penaliza em massa, o problema não está no cidadão, mas na estrutura do sistema. Ele defende uma reavaliação completa do modelo, considerando que isso representa um grande ônus para os motoristas.
Além disso, a ANTT, diante das reclamações, decidiu suspender a aplicação de multas neste ano, o que demonstra a gravidade da situação. Romanelli ressaltou que, em reunião com a ANTT, foi acordada a revisão das cobranças indevidas. "Estamos exigindo providências formais, e o Ministério Público do Paraná já iniciou uma investigação sobre possíveis irregularidades no sistema de cobrança", acrescentou.

