Coordenador de programa de Lula endossa Conselho Fiscal proposto por Lara Resende

José Sérgio Gabrielli defendeu a criação do Conselho Fiscal e Monetário Nacional em artigo, um dia após.
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O coordenador do programa de governo da campanha à reeleição de Lula (PT), José Sérgio Gabrielli, manifestou apoio à proposta do economista André Lara Resende de criar um Conselho Fiscal e Monetário Nacional. A posição foi apresentada em artigo publicado na segunda-feira (02), intitulado "Política fiscal para o fim de 2026 e para 2027".

O endosso ocorre em meio à reação negativa do mercado financeiro à iniciativa e um dia depois de o ministro da Fazenda, Dario Durigan, rejeitar publicamente a ideia. No domingo (1º), Durigan afirmou que o governo não planeja adotar o tabelamento de taxas de juros, como proposto por Resende.

No texto, Gabrielli defendeu que o governo federal busque reduzir os juros por meio de um ajuste progressivo de gastos e receitas, sem impor austeridade ao eleitorado. Segundo ele, nas últimas décadas não houve correlação direta entre o resultado primário e a trajetória da taxa de juros no Brasil, e elevar o superávit primário não é o instrumento adequado para reduzir os juros.

A proposta de Lara Resende, um dos elaboradores do Plano Real, prevê a criação de uma estrutura mais ampla que o CMN (Conselho Monetário Nacional), com a definição de metas conjuntas para as políticas fiscal e monetária em um horizonte de 4 a 5 anos. O plano também prevê a redução gradual e forçada da taxa Selic ao longo de 12 meses, até chegar a 7,5% ao ano, seguida de estabilização entre 3% e 5,5% ao ano. A implementação exigiria mudanças no modelo atual de definição dos juros pelo Banco Central.

Lara Resende atribui a expansão da dívida pública principalmente aos juros elevados. A DBGG (Dívida Bruta do Governo Geral) atingiu 82,9% do PIB (Produto Interno Bruto) em setembro, segundo dados citados no artigo. Gabrielli defendeu que eventuais cortes de despesas não atinjam o salário mínimo real, os benefícios do BPC (Benefício de Prestação Continuada), os repasses do Bolsa Família nem os pisos constitucionais da saúde e da educação, e propôs revisar benefícios tributários ineficientes e recuperar créditos de grandes contribuintes.

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