Crescimento de veículos eletrificados no Brasil desafia mercado de seguros e oficinas

O Brasil avança na eletrificação de veículos, com a venda de 328.477 unidades de janeiro a agosto.
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O Brasil está passando por uma transformação significativa com o aumento da frota de veículos elétricos e híbridos, que vai além das vendas e dos pontos de recarga. Esse crescimento está gerando uma série de desafios para seguradoras, oficinas, fornecedores de peças e empresas de tecnologia, que precisam se adaptar a uma frota cada vez mais complexa.

Entre janeiro e agosto de 2026, foram comercializados 328.477 veículos leves eletrificados, o que representa um aumento de 160,5% em comparação ao mesmo período do ano anterior, conforme dados da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE). Este segmento já corresponde a 20,2% do total de veículos leves vendidos, evidenciando um crescimento expressivo.

O mês de agosto apresentou um desempenho ainda mais robusto, com a venda de 57.074 unidades, o que equivale a um aumento de 184% em relação a agosto do ano passado. Essa performance levou a categoria de veículos eletrificados a alcançar 22% das vendas totais de veículos leves no Brasil, uma marca histórica para o setor. Desde 2012, a frota circulante de veículos eletrificados no país já soma cerca de 950 mil unidades, com a expectativa de atingir 1 milhão ainda em setembro.

Esse crescimento traz à tona questões que não são imediatamente visíveis para os consumidores, especialmente no que diz respeito à manutenção e reparos dos veículos. Em abril, a Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg) lançou um guia que aborda os impactos da eletrificação no mercado de seguros, destacando aspectos como a escassez de peças, custos de importação e a necessidade de oficinas especializadas para atender a esses veículos.

As características dos veículos eletrificados podem aumentar os custos de manutenção e afetar a precificação dos seguros no médio prazo. Entretanto, o impacto na comercialização ainda não é percebido de forma uniforme. A Seguralta, uma rede de franquias de corretagem de seguros, informa que atualmente não há distinção na aceitação ou valor do prêmio entre veículos elétricos, híbridos e modelos a combustão, nem recusa de cobertura.

Leonardo Dalben, especialista do setor, aponta que a introdução de inteligência artificial nos processos fragmentados pode não resolver o problema de forma eficaz. "IA pode ajudar a analisar informações e automatizar decisões, mas ela depende da qualidade da estrutura que existe por trás. Se os dados são incompletos ou cada participante trabalha isoladamente, você apenas automatiza uma parte do problema. O salto real acontece quando sistemas e informações conseguem funcionar como um fluxo único", explica.

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