O ministro Flávio Dino, integrante do Supremo Tribunal Federal (STF), apresentou um relatório de segurança que revela milhares de mensagens de ódio e ameaças de morte direcionadas a membros da Corte. As imagens, retiradas do relatório elaborado pelo próprio STF, foram compartilhadas por Dino em suas redes sociais na sexta-feira (9).
Em sua postagem, Flávio Dino destacou que recebeu trechos do documento que mostram a gravidade da situação, com ameaças que vão desde agressões físicas até o assassinato de ministros. Uma das mensagens, cujo autor foi ocultado, afirma que Dino será "o primeiro a ser fuzilado" por ter "proibido o acesso às armas". Outra mensagem incita a invasão do STF, mencionando que ações semelhantes às que ocorreram com Tiradentes deveriam ser praticadas contra Dino e outros ministros.
Dino atribui o ódio manifestado nas mensagens à repetição de mentiras que visam incitar a violência. Em sua publicação, ele enfatizou que discordâncias em relação a decisões judiciais devem ser tratadas nos colegiados competentes, e não por meio de ameaças ou discursos que incitem agressões. O ministro reforçou que tais ataques não influenciam sua atuação no STF, afirmando que nunca se deixou intimidar por pressões externas.
Ele ainda fez uma reflexão importante sobre a atuação do Poder Judiciário, afirmando que se um juiz começar a temer por sua segurança ao tomar decisões, a própria essência da Justiça estaria comprometida. "Não existe mais Poder Judiciário. Nem Constituição", alertou Dino, ressaltando a necessidade de resguardar a integridade do sistema judicial.
As ameaças contra os ministros do STF não são novidades, tendo se intensificado desde 2019, quando o então presidente da Corte, Dias Toffoli, determinou a abertura de uma investigação para apurar tais agressões, dando origem ao inquérito das fake news. Este processo, até o momento, permanece em andamento, sem conclusão definida, e reflete a crescente hostilidade enfrentada pelos integrantes do Judiciário em razão de suas decisões.