O Palácio do Planalto intensifica suas tentativas de assumir o controle da Vale, a maior mineradora do Brasil, utilizando a Previ, fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil. Essa abordagem remete a métodos já utilizados por Lula em gestões anteriores, que visam atender demandas políticas. A nova estratégia surge após tentativas frustradas de nomear Guido Mantega para a presidência da companhia em 2023.
Neste contexto, Alexandre Silveira foi designado para liderar essa missão, especialmente com a proximidade da campanha eleitoral, o que levanta preocupações sobre a legalidade das ações do governo. A ofensiva começou em junho e ganhou força com a renúncia de Daniel Stieler, que presidia o conselho de administração da Vale, no dia 6 de julho. A pressão da Previ foi um fator determinante para a sua saída, que incluiu a convocação de uma assembleia extraordinária sob alegações de falhas na governança da empresa.
Embora os argumentos apresentados pela Previ tenham sido rejeitados pelo próprio colegiado, Stieler optou por não continuar em meio a um ambiente conturbado, especialmente após conflitos relacionados à indicação de um ex-ministro da Fazenda como lobista. Com a saída de Stieler, a Previ agora busca eleger Manuel Oliveira como novo presidente do conselho, contando com o apoio do ministro de Minas e Energia, que está alinhado aos interesses de Lula e Janja.
Taciana Medeiros, indicada para o Banco do Brasil, desempenha um papel crucial nesse processo, tendo indicado Márcio Chiumento para liderar a Previ, que se tornou uma ferramenta central na tentativa de controle da Vale. A atuação de Taciana no Banco do Brasil já é alvo de críticas, enquanto Silveira enfrenta desafios relacionados à sua própria trajetória.
Além das manobras políticas, surgem questões preocupantes sobre a integridade das operações do governo. Rodrigo de Melo Teixeira e Caio Mário Trivellato Seabra Filho foram presos, acusados de utilizar a ANM (Agência Nacional de Mineração) e o Serviço Geológico para fins ilícitos, como a emissão de pareceres e validação de licenças ambientais de forma irregular. O esquema teria beneficiado empresários próximos, incluindo João Alberto Lages, que fez doações à campanha de Silveira ao Senado.
Adicionalmente, Mauro Henrique Moreira Sousa, diretor-geral da ANM, também enfrentou investigações por sua participação em tratativas que visavam isentar mineradoras de multas. Silveira foi mencionado em delações que indicam a transferência de R$ 20 milhões para o financiamento da campanha, o que levanta ainda mais questões sobre a legalidade e a ética das ações em curso. Essa situação não se resume a uma mera tentativa de ingerência na Vale, mas remete a práticas já amplamente investigadas pela Lava Jato, especialmente ligadas ao escândalo do petrolão.

